Cidade e Estudos Negros: informações detalhadas da disciplina

Cara/os estudantes, compartilhamos aqui informações mais detalhadas da disciplina cidade e estudos negros (PPG AU UFBA), incluindo o plano em articulação para essa edição 2026.1.

abraços,

coletiva docente

 

cidade e estudos negros

No semestre 2026.1 o componente 'Cidade e estudos negros' - no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFBA - articula a colaboração das professoras, pesquisadoras e ativistas Carolina Sternberg (DePaul University), Diana Helene Ramos (FAUFBA), Elionice Sacramento (PPGA UFBA, MN UFRJ), Glória Cecília Figueiredo (PPG AU UFBA), Jana Cândida (PPG AU UFBA), Juliana Neves Barros (UFRB), Katarine Matos Bulhões (PPG AU UFBA), Laila Mourad (UCSAL), Luisa Almeida Gusmão (PPG AU UFBA), Maura Cristina da Silva (MSTB), Paula Regina Cordeiro (UFF) e Tatiana Emília Gomes (FDUFBA).

 

plano do componente 2026.1

Essa edição do curso envolve:

> a realização da oficina imersiva 'habitar possessões instáveis: racialidade, gênero, valor e experimentos metodológicos', que acontecerá de 9 a 15 de março de 2026 no turno da manhã (sala a definir).

aula aberta mapeando a mudança racial: gentrificação e a valorização da branquitude nos bairros mexicanos e afro-americanos de Chicago’ com a professora Carolina Sternberg (DePaul University), a ser realizada no dia 12 de março (quinta-feira), no Auditório Mastaba da Faculdade de Arquitetura da UFBA, das 18h00 às 20h00.

encontros insulares radicais: uma agenda de estudos, na sequência da oficina, sempre às segundas-feiras, das 13:55h às 17:15h,  que se dedicará à obra de pensadora/es caribenha/os da tradição radical negra, em colaboração com a Professora Tatiana Gomes da Faculdade de Direito da UFBA.

Com esse curso abrimos um espaço de encontro, indagação coletiva e imaginação pelo qual movimentamos estudos como prática social e interpelamos a institucionalização dos campos de conhecimento. Propomos um espaço de aprendizagem coletiva, invocando um campo ampliado e diaspórico do pensamento negro radical para explorar elaborações do (nosso) habitar como emaranhado e re/arranjos contínuos de várias formas de vida. 

Partilhando caminhos de pesquisa que não se restringem a uma dimensão crítica, enunciativa ou esclarecedora, apostamos em criar e sustentar um espaço de experimentação conceitual, metodológica e política, rastreando sensibilidades negras insurgentes. 

Como nos implicamos com a invenção de (e com) formas-movimentos, ecologias, espaços, tempos, ritmos e modos de existir (inventados, improvisados) dentro e além das geografias da sujeição? Como dizer-representar-fabular um habitar que excede o valor e a propriedade, situando material e imaginativamente lutas históricas e contemporâneas de afirmação e defesa incessantes da vida dentro e além da mortalidade e da sujeição? Como pensar desde os nossos corpos, lugares e práticas, emaranhadas por economia do conhecimento, desobediência epistêmica e in-disciplina? 

Conectando Salvador, o Quilombo de Salinas da Conceição, Chicago com outras cidades brasileiras e geografias amefricanas, colocaremos em discussão questões atravessadas pelo complicado enlace entre valor e vida negra, apostando na criação de capacidades coletivas para incidência e restituição.

 

conheça o coletivo de professoras e colaboradoras da disciplina

Carolina Sternberg (DePaul University): suas principais áreas de pesquisa e ensino combinam estudos urbanos, estudos latino-americanos e políticas urbanas, tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina. Seu livro mais recente, Neoliberal Urban Governance: Spaces, Culture and Discourses in Buenos Aires and Chicago, publicado pela Palgrave/MacMillan, examina a dinâmica da governança urbana neoliberal por meio de uma análise comparativa de Buenos Aires e Chicago, com foco especial nos processos de gentrificação em ambas as cidades, de 2011 até o presente. Seu trabalho também examina a relação entre gentrificação e raça nas comunidades afro-americanas e latinas em Chicago. 

Diana Helene Ramos (FAUFBA): tem experiência no ensino e pesquisa dos seguintes temas: gênero, direito à cidade, planejamento urbano e regional, informalidade urbana, habitação social, tecnologia social e economia solidária. Na extensão universitária e na educação popular tem experiência em cooperativismo, autogestão, comunicação popular e comunitária, arte-educação, produção audiovisual e reforço escolar em cooperativas populares, comunidades e movimentos sociais. Ganhou o prêmio de melhor tese na área do Planejamento Urbano e Regional pelo Prêmio Capes de Tese - Edição 2016.

Elionice Sacramento (PPGA UFBA, MN UFRJ): intelectual quilombola, membro da Articulação das Mulheres Pescadoras e da Escola das Águas. Integra a equipe de pesquisa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Tem experiência na área de Ciências Ambientais, com ênfase em Sustentabilidade junto a povos e terras tradicionais, atuando principalmente nos seguintes temas: expropriação cultural, saúde, mulheres pescadoras, derramamento de petróleo e território.

Glória Cecília Figueiredo (PPG AU UFBA): professora da FAUFBA e do PPGAU UFBA.  membro do grupo de pesquisa Lugar Comum. coordena os projetos de pesquisa e/ou mobilidade internacional ‘territórios e patrimônios amefricanos’ (Abdias Nascimento - Capes) e o ‘cidades ex-cêntricas’ (CNPq universal). Tem atuado em colaborações urbanas como a Perícia Popular no Centro Histórico de Salvador (prêmio extensão ANPUR, 2025). se interessa por fazeres espaciais divergentes e metodologias in/comuns. tem articulado estudos urbanos e estudos negros e investigado práticas coletivas de restituição e justiça, cidades pretas, controvérsias e conflitos urbanos e territoriais, infraestruturas relacionais e acumulação negativa. 

Jana Cândida (PPG AU UFBA): Doutoranda em arquitetura e urbanismo do PPG-AU/UFBA. mestre em arquitetura e urbanismo e arquiteta e urbanista pela Universidade de Brasília - UnB. No mestrado, desenvolveu a pesquisa "Cidade e Representação: a cidade de Goiás na obra de Cora Coralina" junto ao PPG-FAU/UNB. seus interesses de pesquisa incluem expressão, representação e concepção da arquitetura; história da arquitetura; história da cidade e do urbanismo a partir das relações étnico-raciais e de gênero.

Juliana Neves Barros (UFRB): Professora no Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias (CECULT) da UFRB. Tem interesse de pesquisa na temática de conflitos sociais, meio ambiente e políticas públicas; territorialidades e relações étnico-raciais; direitos humanos e sociologia do desenvolvimento.

Katarine Matos Bulhões (PPG AU UFBA): Graduada em Ciências Sociais com ênfase no Bacharelado de Antropologia pela UFBA. Integrou a equipe artística do Projeto INsubordinadas: Aproximações de Vozes e Escritas de Mulheres Afrodiaspóricas (2024) em Moçambique e participou da 69a edição dos Salões de Artes Visuais da Bahia (2024). Atualmente, está no Mestrado em Arquitetura e Urbanismo na UFBA e atua como pesquisadora do Projeto Canteiro Modelo de Conservação de Salvador, uma parceria entre o IPHAN e a FAU/UFBA. Possui experiências em projetos artísticos de audiovisual, imagem e escrita poética, assim como pesquisas sociais. Desenvolve trabalhos que envolvem memórias, oralidades, territórios e etnicidades.

Laila Mourad (UCSAL): Atualmente é professora, pesquisadora e extensionista do Programa de Pós-Graduação em Território, Ambiente e Sociedade da Universidade Católica do Salvador-PPGTAS/UCSAL. Integra o grupo de pesquisa Lugar Comum, o Núcleo de Salvador do Observatório das Metrópoles (INCT) e coordena os grupos de pesquisas Território em Resistência e Desenvolvimento Municipal do PPGTAS/UCSAL. Tem como principais áreas de ensino e pesquisa: Política e direito à cidade e à moradia, Territórios em Resistência, processos de urbanização de Territórios Populares, Plano Diretor /Instrumentos urbanísticos, Plano de Bairro Participativo, Habitação Social; Dinâmicas imobiliárias e (re)produção do espaço; processos de gentrificação em áreas centrais; remoção forçada e reparação plena e integral.

Luisa Almeida Gusmão (PPG AU UFBA): Arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Federal da Bahia, atualmente estudante do mestrado na área de Urbanismo na mesma instituição. É membro fundadora do Escalar - Coletivo de Assessoria Técnica Popular (2020), atuando desde então no campo da assessoria técnica, em projetos voltados para a articulação comunitária, gestão de riscos, e gestão de resíduos sólidos recicláveis. Interesses: modos e agentes de produção das cidades, assessoria técnica, habitação de interesse social, planejamento urbano participativo, assessoria técnica em áreas de risco socioambiental.

Maura Cristina da Silva (MSTB): Mulher negra paulistana radicada em Salvador há 30 anos, militante do movimento de mulheres negras da BA, onde tem atuado com suas bandeiras de luta contra o  racismo desigualdade,  pelo direito à moradia direito à.cidade, Graduada em psicologia, mãe, gestora, fundadora e integrante da Articulação do Centro Antigo de Salvador,  Coordenadora Estadual do Movimento Sem Teto da Bahia - MSTB, representante Despejo Zero BA.

Paula Regina Cordeiro (UFF): MonaNkisi, Omo Ifá, doutora em Geografia (UFBA), professora adjunta do curso de Geografia da Universidade Federal Fluminense. Pesquisa cartografias negras, cartografias contra-coloniais, cartografias das memórias negras, conflitos socioambientais e territoriais em comunidades pesqueiras e quilombolas do campo e da cidade. Componho os grupos de pesquisa LabHantu: Cosmopercepções espaciais e Juçara, ambos sediados na UFF.

Tatiana Emília Gomes (FDUFBA): É Professora, Pesquisadora e Extensionista da Universidade Federal da Bahia. Doutoranda em Criminologia pela Universidade Católica de Louvain-la-Neuve (UCL/Bélgica). É membro-pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Criminologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (GPCRIM-UEFS) e do Programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (PDRR-UFBA). É Assessora Jurídica Popular. Tem experiência profissional e acadêmica nas intersecções entre as relações raciais e os conflitos agrários/socioambientais em terras tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas, quilombolas, de fundo e fecho de pasto, pescadores(as) artesanais e marisqueiras, especialmente em casos de grilagem de terras, de danos causados pela mineração e suas barragens e nas lutas pelo reconhecimento de territórios tradicionais e da reforma agrária. Participou de antologias poéticas e de contos.