Histórico

HISTÓRICO
A história do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia não pode ser desvinculada da unidade da UFBA que o acolhe – a Faculdade de Arquitetura.
O Curso de Arquitetura ministrado em Salvador já existe desde o século XIX, criado em 1877, no contexto da então Academia, e depois Escola de Belas Artes da Bahia. Após a federalização e incorporação da Escola de Belas Artes à Universidade Federal da Bahia em 1949, e com o reconhecimento das atribuições legais do profissional arquiteto, a formação passou a ter autonomia, sendo criada a Faculdade de Arquitetura em 1959. Serviu de subsídio ao curriculum da nova faculdade a carta de princípios estabelecida no Congresso da União Internacional de Arquitetos – UIA (1959), notadamente em relação ao desenvolvimento da sensibilidade plástica, a noção do espaço, a imaginação, a memória visual, o sentido do homem e do caráter. Com a implantação da estrutura departamental da Reforma Universitária em 1970 e a conclusão das obras da nova sede da Faculdade no Campus da Federação em 1973 (projeto de Diógenes Rebouças), surgiram as condições para a criação dos cursos de pós-graduação.
O primeiro curso de pós-graduação oferecido pela FAUFBA foi o Curso de Especialização em Planejamento Urbano e Regional (CEPUR) criado em 1973, com apoio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE); já o primeiro curso regular de pós-graduação, acolhido pela faculdade em 1981, foi o Curso de Especialização em Conservação e Restauração de Monumentos e Sítios Históricos (CECRE), apoiado pelo IPHAN e pela UNESCO, sendo logo considerado uma referência mundial em sua área de atuação – embrião do que é hoje o Mestrado Profissional em Conservação e Restauração de Monumentos e Núcleos Históricos (MP-CECRE UFBA), o outro programa de pós-graduação stricto sensu (nesse caso, de caráter profissional) que a FAUFBA acolhe.
Tais experiências lato sensu forneceram a base para que, em 1983, fosse criado o atual Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPG-AU) – pioneiro no Nordeste e um dos mais antigos do Brasil em sua área – que passa a atender a necessidade de formação de professores e especialistas para uma nova realidade educacional e política do país. A criação do então denominado Mestrado em Organização do Espaço Físico-Ambiental (logo depois, Mestrado em Arquitetura e Urbanismo – MAU UFBA) vislumbrava o processo de abertura política com o fim do governo militar, mas também a demanda advinda do forte crescimento no número de universidade particulares que seriam criadas nos vinte anos seguintes. Com seu primeiro Colegiado empossado em 16 de março de 1983, tendo como Coordenador o Professor Pasqualino Romano Magnavita e Vice Coordenador o Professor Antonio Heliodorio Lima Sampaio (que ainda são professores permanentes do programa), o curso surge como uma forma de pensar aspectos fundamentais de um país que passava a ser predominantemente urbano.
Assim, no momento de sua criação, o mestrado representou a consolidação e expansão da experiência, iniciada nos anos 1970, dos dois cursos de especialização supracitados. E da fusão dos dois nasceria as duas Áreas de Concentração que até hoje o representam: “Urbanismo” (inicialmente “Desenho Urbano”) e “Conservação e Restauro”.
Em 1999, já como Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, foi criado o curso de doutorado. Aprovado pela CAPES em agosto, o ingresso da primeira turma se deu em março de 2000. A implantação do Doutorado manifestou, de imediato, desdobramentos importantes como: a ampliação das possibilidades de formação que a Faculdade de Arquitetura da UFBA oferecia, aumento de intercâmbios com outras instituições, fortalecimento das linhas de pesquisa, criação e fortalecimento de núcleos e laboratórios e grupos de pesquisa, assim como a emergência de novas temáticas. O Doutorado, portanto, veio ampliar a estrutura acadêmica do PPG-AU, fortalecendo sua capacidade de atuar em atividades de ensino, pesquisa e extensão, e concluindo o processo de implantação da nova estrutura curricular e o fortalecimento das Linhas de Pesquisa existentes e a criação de uma nova linha que passa a abranger pesquisas vinculadas à temática Linguagem, Informação e Representação do Espaço.
Ao final dos anos 1990 o programa começou a atuar como referência para a nucleação na estruturação de novos cursos de pós-graduação, sendo um dos primeiros, o Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, entre 1999-2006, pelo PQI/Capes.
O amadurecimento do programa consolida-se no triênio 2004, 2005 e 2006 pela forte indução do PPG-AU à sua capacidade de nucleação, solidariedade, visibilidade e internacionalização, o que será reconhecido pelas CAPES com a nota 6 – a nota mais alta dada, e pela primeira vez, a três programas da Área de Arquitetura, Urbanismo e Design (PPG-AU UFBA, o Programa de Arquitetura e Urbanismo da USP São Paulo e o PROURB da UFRJ).
Nos próximos anos o programa reafirmou sua capacidade de nucleação, com uma importante formação de recursos humanos a nível regional e nacional – incluindo alunos estrangeiros (Convênio PEC-PG) – que ao retornarem às universidades de origem formaram novos grupos de ensino e pesquisa, responsáveis pela formação de futuros núcleos tanto de graduação quanto de pós-graduação em arquitetura e urbanismo. Esta capacidade de nucleação também é seguida de avanços importantes em iniciativas de solidariedade, ajudando institucionalmente outros programas menos consolidados que mais adiante criarão seus próprios cursos – como os de Doutorado no Programa de Artes Visuais e no Programa de Geografia da UFBA, ocorridas no triênio 2010-2011-2012.
A forte presença internacional do programa se configurou através da institucionalização de acordos bilaterais, participação de diversos professores estrangeiros em cursos, eventos e publicações do programa, participação dos membros do programa em instituições fora do país através de estágios de doutorado sanduíche (Itália, França, Portugal e Espanha) e estágios de pós-doutoramento de docentes ou de participações eventuais em eventos, pesquisas ou publicações estrangeiras. Esta internacionalização atingiu a maior parte do corpo docente e estabeleceu os vínculos que, nos triênios seguintes serão fortalecidos com instituições de pesquisa ou com pesquisadores de outros países.
Ainda nos anos 2000, o programa solidificou sua condição como polo de excelência regional, articulando cooperações a partir do programa CAPES DINTER com a Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Aprovado em 2008 e iniciado em 2009, este programa de formação de doutores, foi realizado com o Mestrado de Engenharia Urbana e Ambiental e o Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, ambos da UFPB e avaliados com o conceito 3 pela CAPES. Teve a colaboração do Programa de Engenharia Industrial da UFBA e dos programas da Universidade Federal de Pernambuco (MDU) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPG-AU). Se trata da aplicação de um vasto plano de colaboração, incluindo ensino, pesquisa e extensão, que teve grandes e positivas implicações.
No quadriênio 2013-2016, juntamente com alguns dos mais tradicionais programas de pós-graduação em arquitetura e urbanismo do país, incluindo os únicos que já tinham, conjuntamente, alcançado a nota máxima para a área (USP São Paulo e PROURB UFRJ, para além de USP São Carlos e PROPAR UFRGS), o PPG-AU caiu de nota na avaliação da CAPES. Esse fato nos levou a empreender um grande esforço de reordenação e reestruturação. Consideramos cuidadosamente as deficiências apontadas na ficha de avaliação de 2013-2016. Usando-as como ponto de referência, trabalhamos intensamente as melhorias do programa, que deu um salto qualidade imenso no quadriênio 2017-2020, logrando a nota 6 na última avaliação da CAPES.
Hoje o PPG-AU está num momento de grande vitalidade, na sua maturidade e consolidação com mais de quatro décadas de pós-graduação – o que capacitou plenamente este Programa a cumprir sua missão de qualificar professores, pesquisadores e profissionais, versados, teórica, metodológica e tecnicamente, tanto nas áreas de análise, planejamento e proposição do espaço, quanto preservação e história, no âmbito da arquitetura e do urbanismo. Desde a sua fundação, formou 456 mestres e 175 doutores até 2024.
A história do PPG-AU acumula um amplo reconhecimento da comunidade científica e da sociedade. Uma amostra são a robusta produção intelectual, os inúmeros prêmios recebidos por docentes e egressos, a recorrente presença nas mídias para tratar de temas relacionados às suas áreas de concentração e a profunda inserção sócia.
CONTEXTUALIZAÇÃO
O PPG-AU é composto pelos cursos de Doutorado e Mestrado Acadêmicos. As suas Áreas de Concentração – “Conservação e Restauro” e “Urbanismo” – espelham, desde o início, as suas duas vocações históricas voltadas, respectivamente, para:
- Estudos e pesquisas de natureza teórica, crítica, científica e tecnológica sobre temas relacionados aos processos de patrimonialização, restauração, conservação, utilização, gestão e promoção do patrimônio arquitetônico, urbano e paisagístico, em suas dimensões histórica, política, normativa, técnica, material e imaterial, e em sua relação com processos de apropriação e produção do espaço arquitetônico e urbano.
- Estudos e pesquisas de natureza teórica, crítica, histórica e empírica sobre o urbanismo enquanto campo de conhecimento, problematizando sua especificidade e interfaces com a arquitetura, políticas públicas, programas, planos, projetos e práticas sobre a cidade, em suas dimensões plurais e conflitivas de produção, regulação, percepção, apreensão e de apropriação do espaço urbanístico nas suas várias escalas e níveis de abordagem.
Considerando as suas vocações, missão e valores, e assunção de todos os compromissos daí advindos, o PPG-AU, com base na autoavaliação realizada, adotou entre 2021 e 2024, uma política de gestão em três vertentes, as quais refletem um programa que se apoia em sua trajetória e se atualiza permanentemente:
- Continuidade e consolidação da política adotada no quadriênio anterior de ampliação das suas frentes de atuação, com o crescimento do corpo docente e discente, o Dinter com a Universidade Federal de Goiás (iniciado em 2019); abertura de novos campos de pesquisa e produção científica; novos convênios nacionais e internacionais, fortalecimento da extensão no âmbito do programa, com destaque para trabalhos de assessoria e assistência técnica e de preservação do patrimônio. Desdobramentos dessa acertada política revelam-se especialmente na recomposição do quadro docente com a realização de novo processo de recredenciamento e credenciamento de professores do PPG-AU para o período 2023-2024.
- Fortalecimento e ampliação das iniciativas de internacionalização do PPG-AU, com a execução de convênios/ cooperações internacionais já firmados e realização de novos convênios/ cooperações, com maior destaque para países latino-americanos e africanos. Nessa vertente destaca-se o ACORDO DE COOPERAÇÃO N° 15/2022 – AA/UFBA entre a Faculdade de Arquitetura da UFBA e a Facultad de Arquitectura y Ciencias del Hábitat de la Universidad Mayor de San Simón, Cochabamba – Bolívia, tendo como objetivo promover, entre outros, o desenvolvimento conjunto de cursos de mestrado e doutorado.
- Aprimoramento da capacidade de planejamento e gestão dos processos e procedimentos internos. Nesse âmbito, vale destacar a internalização do planejamento estratégico como processo contínuo, permanente e orientador da gestão, além de mobilizador do corpo docente, discente e técnico; a instituição de comissões permanentes, tais como: Comissão Permanente de Bolsas, Comissão Permanente Sucupira etc., além das comissões temporárias; revisão do Regulamento do PPG-AU e aprimoramento de outros instrumentos normativos do PPG-AU, com destaque para a Política de Bolsas, com incorporação de ações afirmativas e de permanência; melhorias progressivas no site como meio de compartilhamento de informação, garantia de transparência e registro dos processos, produções e visibilidade do PPG-AU, com perspectiva de tradução em pelo menos duas línguas até 2026.
Nota-se o crescente interesse de docentes e discentes por perspectivas e abordagens epistemológicas e metodológicas decoloniais, dos estudos culturais e afrodiaspóricos, da ecologia política e outros que apontam descentramento e tensionamento da modernidade eurocêntrica e colocados em relação a teorias e conceitos muito presentes na história do PPG-AU, tais como o direito à cidade, patrimônio, memória, tradição e outros. Na mesma senda comparecem temas emergentes realcionados às profundas transformações tecnológicas, emergências climáticas, violência e medo na cidade que revelam mudanças no contexto do PPG-AU de profundo diálogo com as questões que se colocam na agenda pública e demandam o debate teórico e crítico e a ancoragem nos processos e fenômenos enfrentados nas pesquisas em desenvolvimento.
Da mesma forma, ganha corpo a inserção social e o debate da curricularização da extensão dando maior força a uma tradição de inserção social do Programa em escalas distintas. O PPG-AU teve uma atuação de grande impacto local (para a cidade de Salvador e sua região metropolitana) entre 2021 e 2024: ações de ensino, pesquisa, extensão; de inserção social; de atuação técnica; de envolvimento institucional com a esfera metropolitana, especialmente no que tange às áreas de urbanismo, planejamento urbano e preservação do patrimônio cultural (no contexto de suas duas Áreas de Concentração).
Destacam-se diversas iniciativas de assistência técnica e tecnologia social que Grupos de Pesquisa têm se empenhado em desenvolver através de Projetos de Pesquisa e/ou Extensão que afetam Salvador e entorno, iniciativas de grande cooperação, sempre com a participação de estudantes, egressos e comunidades locais. A realização de atividades extensionistas de diversos tipos, em regra articuladas a pesquisas em desenvolvimento e às atividades de ensino na graduação e pós-graduação tem ampliado a sua inserção no contexto mais próximo e dado maior solidez nos processos e percursos formativos dos estudantes, com repercussões importantes também nos processos formativos de lideranças nas redes de interação construídas, algumas com quase duas décadas de construção. A participação direta de representantes de associações da sociedade civil nas atividades de assessoria e assistência técnica, em debates programados nas disciplinas e nos seminários promovidos pelo PPGAU tem fomentado, historicamente, a integração do Programa em ações de grande interesse social – alcançando, inclusive, uma inovadora atenção às relações étnico-raciais no âmbito da arquitetura e do urbanismo.
Assim, poderíamos afirmar que mais de 30 grandes projetos de grande inserção social foram desenvolvidos no quadriênio 2021-2024 e abrem outras frentes para os próximos anos – em acordo com a meta de potencializar ainda mais estas iniciativas, em total acordo com o PE da UFBA. Projetos de forte impacto social, comumente vinculados à Área de Concentração em “Urbanismo”, podem ser citados, tais como: Protagonismo popular e ancestral na produção da cidade de Salvador: os artífices da Ladeira da Conceição da Praia; Assessoria à comunidade de Saramandaia em demandas específicas e Ação Curricular em Comunidade e em Sociedade (ACCS) na praça, em continuidade ao Plano de Bairro da ZEIS Saramandaia; ACCS denominada perícia popular no Centro Histórico de Salvador; Campanha ZEIS Já! Pelo direito à moradia e à cidade; Assessoria e inserção em debates públicos sobre desafetação e alienação de bens públicos do Estado e do Município; Assessoria técnica à comunidade da Gamboa de Baixo no acompanhamento do processo de regulamentação da ZEIS e assistência técnica em diversas ações na comunidade, envolvendo melhorias na infraestrutura, habitação e preservação do patrimônio material e imaterial; Assessoria técnica na defesa da permanência dos moradores da ZEIS do Tororó (Tororó Resiste!) que ganhou repercussão nacional; cooperação com o Ministério Público – Bahia na caracterização de vazios construídos envolvendo atividades de ensino e extensão no PPGAU e na graduação; Oficina Escrita de Projeto; Programa Orelhão: sistema de escuta de uso público Acerca da Natureza, desenvolvido em dois ciclos; Ação Comunitária no Quilombo Kaonge - Santiago do Iguape em Cachoeira, mediante realização de processo formativo de grupos sociais quilombolas, através de Oficinas Educativas sobre Quilombos e Quilombagem, Associativismo e Comunitarismo de base africana; Projeto – Plano Antirracista para os Bairros Negros de Salvador, dentre outros.
Também em total congruência com o declarado no PE UFBA, ações do PPGAU/UFBA iniciadas no quadriênio anterior, referentes à preservação do patrimônio edificado, urbano e imaterial (atrelados à Área de Concentração em “Conservação e Restauro”) impactaram diretamente na esfera local – mas também lograram um alcance nacional e internacional, em função do Centro Histórico de Salvador ser tombado nacionalmente, além de Patrimônio Cultural Mundial pela UNESCO. Podem ser citados, como destaque, o Projeto, patrocinado pelo IPHAN: Normas e critérios para intervenção para o Centro Histórico de Salvador. Outra ação técnica de imensa importância local, mas que, igualmente, alcança a dimensão internacional, é o Documento técnico de candidatura a Patrimônio da Humanidade dos Fortes Santo Antônio da Barra, Forte de São Marcelo, Forte de Monte Serrat, Forte de Santa Maria e Forte de São Diogo, integrantes do bem seriado “Fortificações do Brasil”.
Também, com grande impacto local e nacional, seria possível elencar inúmeras iniciativas de salvaguarda do patrimônio étnico-racial, no âmbito da arquitetura, do urbanismo e da paisagem de matriz afro-brasileira – com destaque para: Termo de Cooperação Técnica entre a UFBA e SEPROMI (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do estado da Bahia); Tombamento da Pedra de Xangô e criação da APA Municipal Assis Valente e o Parque em Rede Pedra de Xangô, inaugurado em 2022; Termo de Cooperação Técnica para Conservação dos Terreiros Tombados do IPHAN: Omo Ilê Agboulá, Alaketu, Ventura; Tombamento da Festa de Iemanjá pela Prefeitura de Salvador Destacam-se ações de assessoria técnica a terreiros de candomblé e Quilombos que, conforme salienta o GP Etnicidades (2023), “trazem a complexidade e riqueza desses territórios para a universidade, e através das extensões e pesquisas levam possibilidades de transformação social, instrumentalização de direitos e luta por cidadania” conformando o Programa de Apoio a Patrimonialização de Templos Religiosos de Matrizes Africanas.
Sobre a atuação regional, podemos começar afirmando a importância do programa para o suprimento de quadros profissionais qualificados em outras cidades do interior da Bahia e na Região Nordeste, egressos que vão atuar prioritariamente na docência e/ou em instituições públicas de planejamento urbano, ou de proteção do patrimônio cultural. Esse quadro demonstra como o PPG-AU é um polo maduro de exportação de profissionais que vão exercer ofícios acadêmicos, científicos e técnicos em cidades do interior da Bahia e em outros Estados do Nordeste.
Para além disso, grandes Projetos de Pesquisa e/ou Extensão, com fortes impactos acadêmicos, técnicos e sociais – especialmente para o interior do Estado da Bahia – foram desenvolvidos no quadriênio (em consonância ao PDI da UFBA). Podemos citar como exemplos projetos, iniciados no quadriênio anterior que geraram produtos técnicos de alto impacto regional: Canteiro Modelo de Conservação – ações de salvaguarda e conservação do Patrimônio Cultural de Igatu-BA; Documentação arquitetônica e reconstrução digital do Sítio Histórico do Convento de Santo Antônio do Paraguaçu– BA; Fotogrametria com ortorretificação de imagens aéreas e georreferenciamento das fortificações do Estado da Bahia; Inventário das antigas fortificações encontradas no Estado da Bahia; Infraestrutura para a documentação do patrimônio arquitetônico do Estado da Bahia com tecnologias digitais; Inventário de arquitetura e urbanismo modernos na Bahia; Seminários urbBA (Urbanismo na Bahia) 2021, 2022, 2023 e 2024, que tem buscado a interiorização com alternância de realização em Salvador e cidades do interior do Estado da Bahia.
No âmbito étnico-racial, especialmente no que toca à preservação do patrimônio indígena e afro-brasileiro da região, é possível destacar os projetos: Arquitetura e Aldeamentos Indígenas no Estado da Bahia; Arquiteturas e configurações espaciais de comunidades indígenas e quilombolas no Brasil e na Bahia.
Cabe destacar no contexto atual do Programa, duas iniciativas de grande envergadura: o Dinter com a UEG e o Minter com a Universidad Mayor de San Simon.
O Dinter foi iniciado no dia 05 de agosto de 2019, financiado integralmente pela UFG. O objetivo da nucleação é a formação de professores integrantes do quadro efetivo da UFG, bem como de Professores de outras instituições públicas e privadas de ensino superior de Goiás, como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a Universidade Estadual de Goiás (UEG) – o que demonstra o esforço de nucleação e solidariedade do programa com uma universidade tradicional da Região Centro Oeste do Brasil, mas com formação recente de uma pós-graduação stricto sensu (ainda sem doutorado) na área de Arquitetura e Urbanismo. Como antes colocado, o Programa já planeja, após a sua finalização, construir outras ações solidárias, seja no nível de Doutorado ou Mestrado.
Em 2022 foi iniciado o Projeto de Cooperação Interinstitucional para Qualificação de Profissionais de Nível Superior (Mestrado Interinstitucional - MINTER) entre o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFBA (PPGAU/UFBA) e a Diretoria de Formação Contínua, Graduação e Pós-Graduação da FAyCH/UMSS, dirigido a docentes da Facultad de Arquitectura y Ciencias del Hábitat de la UMSS. O projeto tem três objetivos principais: i) Fortalecimento de capacidades dos professores da FAyCH/UMSS que possuem graduação em Arquitetura, Urbanismo e áreas afins; ii) Intercâmbio de conhecimentos entre as duas comunidades acadêmicas e iii) Criação de grupos de pesquisa interinstitucionais, com interesses comuns que possam manter e expandir as relações acadêmicas além do MINTER. Tais objetivos se justificam não apenas na solidariedade e transferência de experiências e conhecimentos adquiridos ao longo dos 40 anos de funcionamento do PPGAU/UFBA, mas também no fomento de um intercâmbio acadêmico que leve à formação de um território intelectual compartilhado, enriquecido por diferentes realidades e contextos socioeconômicos. Os estudantes são professores permanentes do curso de Arquitetura, cursos afins da Faculdade de Arquitetura e Ciências do Habitat ou de outras unidades da Universidade Mayor de San Simón, vinculados às disciplinas ou unidades acadêmicas da FAyCH/UMSS e que possuam título de graduação na área. O projeto é coordenado pelos professores do PPG-AU/UFBA, Naia Alban e Márcio Cotrim, contando com uma Coordenadora da Instituição Receptora, a Profa. Rosa Martha Arébalo Bustamante. A execução se dá na Faculdade de Arquitetura e Ciências do Habitat/ Universidade Mayor de San Simón (UMSS), em Cochabamba, onde foram ministradas as disciplinas, no idioma espanhol. São no total 22 discentes matriculados, prevendo-se a conclusão até dezembro de 2025. A implementação do Projeto tem produzido impactos significativos em diversos âmbitos e escalas, abrangendo desde o contexto acadêmico local até reflexos na produção científica e profissional em níveis regional, nacional e internacional.
Ainda no sentido da internacionalização do PPG-AU, foram crescentes no período a oferta de disciplinas com docentes convidados de instituições estrangeiras, desenvolvimento de pesquisas em rede com pesquisadores de instituições de outros países da América Latina e África, participação de docentes como professores visitantes em universidades estrangeiras, dentre outras.


