Histórico

 

Histórico

O Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da UFBA (PPG-AU UFBA) é um dos mais antigos do Brasil e pioneiro no Nordeste em sua área. No momento de sua criação representou a consolidação e expansão da experiência, iniciada nos anos 1970, de dois cursos de especialização: a partir de 1973 foi oferecido pela FAUFBA o Curso de Especialização em Planejamento Urbano e Regional (CEPUR), com apoio da SUDENE; na sequência, em 1981, o Curso de Especialização em Conservação e Restauração de Monumentos e Sítios Históricos (CECRE), apoiado pelo IPHAN e pela UNESCO, foi acolhido pela Faculdade de Arquitetura, sendo considerado uma referência mundial em sua área de atuação.

Tais experiências lato sensu forneceram a base para que, em 1983, fosse criado o Mestrado em Arquitetura e Urbanismo (MAU), o ponto inicial da trajetória de 35 anos do atual PPG-AU. Da fusão dos dois cursos de especialização supracitados nasceria as duas Áreas de Concentração que até hoje o representam: “Urbanismo” (inicialmente “Desenho Urbano”) e “Conservação e Restauro”. Em 1999, já como Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, foi criado o curso de doutorado.

Essa trajetória abriga, portanto, um período de maturação e um percurso de consolidação com quase quatro décadas de pós-graduação – o que capacita plenamente este Programa a cumprir sua missão de qualificar professores, pesquisadores e profissionais capacitados, teórica, metodológica e tecnicamente, tanto nas áreas de análise, planejamento e proposição do espaço, quanto preservação e história, no âmbito da arquitetura e do urbanismo – mas também no campo teórico e prático do projeto arquitetônico, voltado ou não ao patrimônio cultural. A sua estrutura acadêmica abrange atividades de ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidas simultaneamente, de forma integral e vinculadas à graduação.

 

Contextualização

O PPG-AU é composto pelos cursos de Doutorado e Mestrado Acadêmicos. Contudo, dentro da Faculdade de Arquitetura da UFBA o programa ainda apoia e é parceiro do Mestrado Profissional em Conservação e Restauração de Monumentos e Núcleos Históricos (MP-CECRE) – Programa Profissional criado em 2009, derivado do já referido CECRE; bem como ampara a Residência Profissional em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia (Residência AU+E) – primeira experiência brasileira em residência profissional nas áreas mencionadas, aprovada em 2011, cuja primeira turma foi implantada em 2013. Além dessas parcerias com experiências stricto sensu (MP-CECRE) e lato sensu (Residência AU+E), o programa ampara cursos de especialização que são oferecidos a partir de demandas oriundas de sua área de atuação, como o Curso de Especialização em Arquitetura de Sistemas de Saúde.

As suas Áreas de Concentração – “Conservação e Restauro” e “Urbanismo” – espelham, desde o início, as suas duas vocações históricas voltadas, respectivamente, para:

  • estudos e pesquisas de natureza teórica, crítica, científica e tecnológica sobre temas relacionados aos processos de patrimonialização, restauração, conservação, utilização, gestão e promoção do patrimônio arquitetônico, urbano e paisagístico, em suas dimensões histórica, política, normativa, técnica, material e imaterial, e em sua relação com processos de apropriação e produção do espaço arquitetônico e urbano;
  • estudos e pesquisas de natureza teórica, crítica, histórica e empírica sobre o urbanismo enquanto campo de conhecimento, problematizando sua especificidade e interfaces com a arquitetura, políticas públicas, programas, planos, projetos e práticas sobre a cidade, em suas dimensões plurais e conflitivas de produção, regulação, percepção, apreensão e de apropriação do espaço urbanístico nas suas várias escalas e níveis de abordagem.

O PPG-AU/UFBA se notabilizou por uma produção bibliográfica, docente e discente de grande expressão, com diversas obras premiadas ao longo de sua história, entre livros, dissertações e teses. Cabe destacar: o 1° lugar no Prêmio ANPUR, edição 2001, na Categoria Livro Individual, conferido à obra “Formas Urbanas: Cidade-Real e Cidade-Ideal”, de autoria do Prof. Antônio Heliodório Sampaio; o Prêmio da Bienal Panamericana de Quito, conferido, em 2010, ao livro “As Fortificações Portuguesas de Salvador quando cabeça do Brasil”, de autoria do Prof. Mário Mendonça de Oliveira; Prêmio ANPARQ, edição 2012, conferido ao livro “O Barroco, a arquitetura e a cidade nos séculos XVII e XVIII”, de autoria do Prof. Rodrigo Espinha Baeta e Prêmio ANPARQ 2018, conferido ao livro “A cidade Barroca na Europa e na América Ibérica”, também de autoria do Prof. Rodrigo Espinha Baeta.

A qualificação docente do PPG-AU/UFBA também está expressa em outros indicadores, cabendo, particularmente, citar um dos mais importantes. No último quadriênio (2013-2016), 11 professores permanentes do programa foram listados como Bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Ainda com relação a este indicador, registra-se que um dos dois bolsistas PQ Sêniores do Brasil pertence ao quadro de docentes do programa (o Prof. Mário Mendonça de Oliveira), bem como três dos nove bolsistas 1A existentes no país (os professores Pasqualino Romano Magnavita, Ana Fernandes e Paola Berenstein Jacques e), são professores permanentes do programa.

Dentre a produção de trabalhos finais do corpo discente, os prêmios são também abundantes ao longo da trajetória do PPG-AU/UFBA. Prova disso, é que nos últimos dois anos (2017 e 2018) egressos do PPG-AU foram contemplados com 3 prêmios, oferecidos pelas três entidades mais importantes da área: Prêmio ANPARQ (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo), Categoria Dissertação (2018) – “A “Casa do Velho’: o significado da matéria no Candomblé”, de autoria de Denis Alex Barboza de Matos, orientada pela Professora Márcia Genésia de Sant'Anna e co-orientada pelo professor Fábio Macêdo Velame; I Prêmio Rodrigo Simões de Teses de Doutorado, atribuído pela ANPUR (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional) em (2017) – “Corpo, discurso e território: a cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus”, de autoria de Gabriela Leandro Pereira, orientada por Professora Ana Fernandes; Prêmio CAPES de Tese (2017) – “Do direito autoconstruído ao direito à cidade: Porosidades, conflitos e insurgências em Saramandaia”, de autoria de Adriana Nogueira Vieira Lima, orientada por  Professora Ana Fernandes.   

Para além do atual quadriênio, o VIII Prêmio Brasileiro - Política e Planejamento Urbano e Regional - da ANPUR, modalidade Dissertação de Mestrado, foi ganho pela egressa (atual Vice Coordenadora do PPG-AU), Glória Cecília dos Santos Figueiredo, em 2013 - "A Hegemonia das Empresas Imobiliárias: Tendências de Uso e Ocupação do Espaço da Produção Imobiliária licenciada pelo Município de Salvador de 2001 a 2009”. O VI Prêmio Brasileiro Política e Planejamento Urbano e Regional da ANPUR, de 2009, foi conferido à tese “RE-descobrindo o Ceará? Representações dos sítios históricos de Icó e Sobral: entre areal e patrimônio nacional”, de José Clewton do Nascimento, orientada pela Professora Ana Fernandes; na categoria dissertação de mestrado, neste mesmo ano, a ANPUR agraciou a dissertação “Quando o cinema vira urbanismo”, de Silvana Olivieri, orientada pela Professora Paola Berenstein Jacques. Em 2006, o Prêmio Capes de Teses foi uma honraria outorgada ao PPG-AU/UFBA à tese de Adriana Mattos de Caúla e Silva, “Trilogia das Utopias Urbanas: Urbanismo, Hq’s e Cinema” – orientadora Paola Berenstein Jacques.

Além desses prêmios máximos, a CAPES conferiu ainda menções honrosas a teses elaboradas no programa em 2008, 2011, 2012 e 2013: em 2008, a Menção Honrosa foi conferida a Clovis Ramiro Jucá Neto pela tese “A Urbanização do Ceará Setecentista - as Vilas de Nossa Senhora da Expectação do Icó e de Santa Cruz do Aracati” – orientada por Pedro de Almeida Vasconcelos; em 2011, Menção Honrosa foi conferida a Artur José Pires Veiga pela tese “Sustentabilidade urbana, avaliação e indicadores: um estudo de caso sobre Vitória da Conquista - BA” – orientada por Gilberto Corso Pereira; em 2012, a mesma honraria foi conferida a Rodrigo Espinha Baeta, pela tese “Teatro em Grande Escala: a cidade barroca e sua expressão na América Hispânica” – orientada por Eloisa Petti Pinheiro; finalmente, em 2013, a Menção Honrosa foi conferida a Nivaldo Vieira Andrade Junior, pela tese “Arquitetura Moderna na Bahia 1947-1951: uma história a contrapelo” – orientada por Esterzilda Berenstein Azevedo.

Menções honrosas também foram conquistadas em prêmios ANPUR e ANPARQ: Menção Honrosa Prêmio ANPARQ (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo), Categoria Tese, para Nivaldo Vieira Andrade Junior, “Arquitetura Moderna na Bahia 1947-1951: uma história a contrapelo” – orientada por Esterzilda Berenstein Azevedo (2014); Menção Honrosa VIII Prêmio Brasileiro - Política e Planejamento Urbano e Regional - da ANPUR, modalidade Dissertação de Mestrado, para Gabriel Schvarsberg, “Rua de contramão: o movimento como desvio na cidade e no urbanismo”, orientada por Paola Berenstein Jacques (2013).

Outra questão que desvela a importância histórica do programa e sua grande projeção nacional e internacional, é o fato de aqui ter nascido muitos dos mais importantes fóruns de discussão (seminários) que tratam das questões mais proeminentes do debate acadêmico em arquitetura e urbanismo no Brasil – além do fato do PPG-AU sempre acolher os mais significativos eventos do calendário nacional.  

Assim, é bom ressaltar que em outubro de 2018 acolhemos, com grande sucesso, o mais importante evento de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (o V ENANPARQ), com mais de 800 inscritos. Em 2017 abrigamos, pela terceira vez (as três últimas versões foram realizadas em Salvador), o grande fórum de discussão sobre a salvaguarda, conservação e restauração do patrimônio arquitetônico – o V Arquimemória (evento com mais de 700 inscritos). No ano de 2019 acontecerá em Salvador (promovido pelo PPG-AU) o 12° Seminário DOCOMO Brasil, evento sobre documentação, conservação e história da arquitetura do Movimento Moderno. Vale lembrar que o DOCOMOMO Brasil nasceu no PPG-AU/UFBA – que também acolheu seu primeiro seminário (em 1995). Também em 2019 apoiaremos o 3º Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira (3°CIHCLB), outro importante evento da nossa área. Em 2020, comemorando os 30 anos de um dos eventos mais importantes do calendário – encontro que nasceu, mais uma vez, no PPG-AU (em 1990) – abrigaremos pela quarta vez o Seminário de História da Cidade e do Urbanismo (no caso, o XVI SHCU).

Voltando ao ano de 2018, o VI Seminário Corpo Cidade comemorou os dez anos de periodicidade bianual – todas as versões aconteceram em Salvador por iniciativa do PPG-AU. Também o PPG-AU apoiou o XVIII URBA, outro evento importante do calendário – bem como organizaou o Seminário Salvador e suas Cores em sua quarta versão.

Esta é só uma pequena demonstração de como, num espaço de dois anos, o programa organizou, apoiou e acolheu os mais importantes eventos do calendário da área de Arquitetura e urbanismo.

A atuação profissional e técnica de vários membros do corpo docente do programa tem sido, da mesma forma, historicamente reconhecida por meio de importantes prêmios conferidos por instituições nacionais e estrangeiras. Cabe registrar que em 2016, o Prêmio Arquiteto Diógenes Rebouças, atribuído pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção Bahia, foi conferido ao Prof. Mário Mendonça de Oliveira pela sua trajetória profissional e contribuição significativa para o campo da arquitetura e do urbanismo.

A participação de professores do PPG-AU/UFBA em cargos públicos de direção e gestão, em associações científicas, profissionais e em conselhos de importantes instituições também tem sido uma constante. Nos últimos 30 anos, o programa construiu, ainda, importantes canais de difusão do conhecimento, destacando-se a Revista de Urbanismo e Arquitetura - RUA; os Cadernos do PPG-AU e a Coleção PPG-AU Livros. O site do programa difunde ainda a produção de teses e dissertações defendidas, dando também acesso on line à produção intelectual e técnica do corpo docente.

A inserção internacional do PPG-AU/UFBA tem se mantido muito significativa ao longo desses 35 anos de existência. No último quadriênio (2013-2016), 81 produções bibliográficas de docentes permanentes e 25 de discentes do programa foram publicadas em diversos veículos de difusão de âmbito internacional, totalizando 106 produções; 86,5% dos docentes permanentes do programa participaram de 107 eventos de natureza internacional, nos quais proferiram palestras e/ou conferências, dentre os quais, 13 contaram com a presença de docentes do programa em comissões organizadoras e/ou científicas; 06 docentes permanentes atuaram como professores visitantes, palestrantes ou pesquisadores convidados em universidades estrangeiras e 11 realizaram estágios pós-doutorais em instituições dessa natureza; 16 professores estrangeiros, a maioria provenientes de universidades europeias, atuaram como professores visitantes no programa; 24 bolsas de doutorado-sanduíche foram implantadas com o apoio de agências de fomento nacionais, incrementando o intercâmbio de discentes com IES estrangeiras; 10 estudantes de origem estrangeira tornaram-se discentes do programa; 16 projetos, envolvendo pesquisa e intercâmbio informações, docentes e discentes, foram desenvolvidos por meio de acordos de cooperação, redes de pesquisa e projetos de cooperação de âmbito internacional.

Ainda no que toca aos indicadores de internacionalização, 08 docentes do programa participaram de comitês editoriais de 10 periódicos de circulação internacional e de uma coleção de livros internacionais publicada regularmente. Além disso, registramos três projetos de pesquisa, duas participações de discentes e docentes em eventos internacionais, duas bolsas de estudo para docente em pós-doutorado, uma estadia de docentes estrangeiros no programa, uma participação de docente em comitê internacional e o custeio de um curso vinculado ao programa que foram viabilizados com o aporte de recursos financeiros de agências internacionais.

O PPG-AU/UFBA exibe também, em sua história recente, uma atuação importante em termos de apoio à implantação de programas de pós-graduação em outras universidades brasileiras, a exemplo do Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, implantado entre 1999-2006 com apoio do PQI/Capes; e do Doutorado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba, implantado entre 2008-2013, por meio do DINTER/CAPES n° 2470/2008.

Ainda nessa direção, no ano de 2018 o PPG-AU aprovou, junto à Pró-Reitoria de Pós-Graduação  da Universidade Federal de Goiás e junto à PROPG UFBA, a realização de um Dinter (Doutorado Interinstitucional) entre o PPG-AU/UFBA e a UFG – em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Projeto e Cidade (PPG-PC/UFG). O Dinter – que será financiado pela UFG e se encontra em análise pela CAPES para a sua homologação – se fundamentará na formação de professores integrantes do quadro efetivo da UFG (especialmente aqueles vinculados aos cursos de Arquitetura e Urbanismo das unidades de Goiânia e de Goiás Velho), possuidores de título de graduação nas áreas de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, e com mestrado concluído (em qualquer área).

Para além disso, ao assumir a parceria com o Programa de Pós-Graduação em Projeto e Cidade, o projeto do Dinter aspira fomentar a transferência da experiência e dos conhecimentos acumulados ao longo dos 35 anos de funcionamento do PPG-AU/UFBA para um programa mais novo e menos experiente (e que ainda não possui doutorado) – através de compartilhamento de disciplinas, atividades, pesquisas e orientações.

Cabe ressaltar que a proposta se insere num momento muito particular da história das Instituições de Ensino Federais Brasileiras, momento em que se vislumbram os resultados dos investimentos do Programa REUNI (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) que, ao colocar como principal objetivo o aumento da oferta de vagas no Sistema Federal de Ensino Superior, também gera uma maior demanda de quadros qualificados para possibilitar o cumprimento das metas estabelecidas. Assim sendo, se por um lado, parte desta demanda de quadros está sendo suprida através da contratação de novos professores, outro considerável aporte à melhoria do sistema será dado, com certeza, pela capacitação do quadro docente existente, de forma a permitir um maior engajamento destes professores nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em andamento em seus respectivos Centros de Ensino e o consequente fortalecendo do trinômio Ensino/Pesquisa/Extensão. Neste sentido, é bom advertir que os dois cursos de Arquitetura e Urbanismo que serão favorecidos com o Projeto do Dinter foram criados recentemente no contexto supracitado do REUNI: o de Goiânia, ligado à Faculdade de Arte Visuais (FAV/UFG), foi criado no ano de 2009; o de Goiás, iniciou suas atividades no ano de 2015, dentro do Unidade Acadêmica Especial de Ciências Sociais Aplicadas (UAECSA/UFG). 

Finalmente, o binômio qualificação profissional e formação acadêmica, em vínculo estreito com demandas sociais e institucionais, tem sido, de fato, um predicado histórico e um objetivo central do PPG-AU/UFBA. A constante busca por inovação é também outro predicado do programa que, além de ter sido o primeiro do Brasil voltado para o tema da preservação do patrimônio cultural, apoiou a implantação, como já mencionado, da primeira experiência de Residência Profissional em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia, que, ademais, envolve a realização de trabalhos de campo, oficinas e outras atividades voltadas para a assistência técnica e elaboração de projetos destinados à promoção da qualidade da moradia popular e do fortalecimento da cidadania.

 

Sobre a última Avaliação

A despeito dessa história e do excelente desempenho do PPG-AU/UFBA ao longo do quadriênio 2013-2016, bem como dos impactos positivos em âmbito regional e nacional que propiciou no contexto da pós-graduação da Área e de relevantes ações de solidariedade realizadas, na última Avaliação Quadrienal, a Comissão de Área avaliou negativamente e, a nosso ver, de modo falho, o quesito relativo ao Corpo Discente do programa, no que toca aos itens relativos à qualidade de teses e dissertações, à distribuição de orientandos por docentes e ao número baixo de publicações, atribuindo ao programa a nota 4. Esta nota, contudo, não foi confirmada pelo Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES), na 172ª reunião, quando, ao analisar os programas avaliados durante a Quadrienal 2017, atribuiu ao PPG-AU a nota 5, mantendo, assim, a nota da última Trienal (2013).

Fundamentados no desempenho de excelência do programa ao longo do quadriênio 2013-2016 e tendo em vista esta avaliação do CTC-ES, que rejeitou a avaliação inicial da Comissão da Área, o programa qualificou-se para pleitear a nota 6. Por decisão unânime do seu Colegiado, foi então encaminhado recurso nesse sentido ao CTC-ES, seguindo-se, rigorosamente, os critérios e indicadores estabelecidos no Documento da Área de Arquitetura, Urbanismo e Design de 2016 e demonstrando-se cabalmente a pertinência deste pleito.

Este pedido de revisão da nota 5 para nota 6, no entanto, para enorme surpresa de todos os participantes do programa, não foi analisado pela Comissão de Reconsideração no que diz respeito à avaliação dos quesitos de excelência, conforme o programa havia solicitado. Estranhamente, esta comissão decidiu, de forma extemporânea, proceder a uma nova verificação dos indicadores relativos a quesitos já analisados na primeira fase da avaliação, contrariando, assim, o item 4 da Portaria nº 59, de 21 de março de 2017, que dispõe sobre o regulamento da Avaliação Quadrienal, em particular onde se determina que a análise dos pedidos de reconsideração deve ser feita “à luz dos pareceres indicados nas fichas de avaliação e argumentos/justificativas que instruíram os respectivos pedidos de reconsideração.” Além de contrariar este regulamento, a Comissão de Reconsideração contrariou também a decisão anterior da Comissão de Avaliação, ratificada pelo CTC-ES (172ª reunião), ao rebaixar o conceito Muito Bom atribuído ao programa no quesito 4 (Produção Intelectual) para Bom, sendo que todos os itens de avaliação permaneceram inalterados e somente o conceito final foi alterado. Vale lembrar que este quesito não era objeto do pedido de reconsideração encaminhado. Com isso, a nota 5, atribuída ao programa pelo CTC-ES (na 172ª. reunião), foi rebaixada pela Comissão de Reconsideração para a nota 4, o que foi mantido pelo CTS-ES em sua 175ª reunião. Diante desses fatos, o PPG-AU/UFBA encaminhou outro recurso à presidência da CAPES, o qual ainda se encontra em análise.

No primeiro recurso encaminhado, além da apresentação dos indicadores da excelência do programa em termos de internacionalização, nucleação e solidariedade, demonstrou-se a qualidade da produção discente no quadriênio, ressaltando-se, inclusive os prêmios conferidos a teses produzidas no programa em 2013 e em 2017, neste último caso, prêmio outorgado a tese defendida em 2016. Mostrou-se também que, num horizonte mais amplo, como já assinalado anteriormente, desde a implantação do prêmio CAPES de teses – um inequívoco indicador de qualidade da produção discente –, em 11 anos (2006-2017), o PPG-AU/UFBA recebeu 5 prêmios, sendo um dos dois programas com maior número de premiações do Brasil. Esse dado revela, claramente, que a trajetória do PPG-AU/UFBA é consistente no que diz respeito a este indicador e não se iniciou apenas na última quadrienal.

No que diz respeito à distribuição de orientandos por docentes, outro item considerado falho pela comissão de avaliação, cabe observar que no quadriênio 2013-2016 o programa passou por dois processos de credenciamento/recredenciamento (em 2014 e 2016), o que possibilitou renovar o quadro docente em cerca de 48%. Com isso, a concentração de orientandos verificada em torno de alguns docentes deveu-se a esse ajuste e, naturalmente, ao fato de que os professores recém ingressos estão ainda começando a realizar trabalhos de orientação. Por fim, quanto ao alegado baixo número de publicações por parte dos discentes, demonstrou-se que, entre mestrado acadêmico e doutorado foi contabilizado um número expressivo de produções, cujos temas mantêm coerência com aqueles preponderantes na produção geral associada ao PPG-AU/UFBA, ou seja, à suas linhas, grupos e projetos de pesquisa. Por fim, os indicadores de internacionalização, nucleação e solidariedade ao longo do quadriênio 2013-2016 mantiveram-se nos níveis de excelência requeridos aos programas agraciados com notas 6.

 

ALlguns dados quantitativos

No ano de 2018 foi feito um novo credenciamento/recredenciamento do programa com grande renovação do quadro, aumento o número de Professores Permanentes para 31 e o diminuindo o número de Professores Colaboradores para 7 – o que corresponde a uma proporção de 18,5% de docentes colaboradores com relação ao quadro total. Todos os professores permanentes e colaboradores do PPG-AU/UFBA são doutores, de proveniência variada e sólida formação. O número de docentes permanentes contemplados com bolsas de Produtividade em Pesquisa do CNPq – 9 professores – permaneceu expressivo em 2017, conforme a seguinte distribuição:

 

Bolsista PQ CNPq – Nível SR: Mário Mendonça de Oliveira

Bolsista PQ CNPq – Nível 1A: Ana Maria Fernandes

Bolsista PQ CNPq – Nível 1A: Paola Berenstein Jacques

Bolsista PQ CNPq – Nível 1A: Pasqualino Romano Magnavita

Bolsista PQ CNPq – Nível 1B: Ângelo Szaniecki Perret Serpa

Bolsista PQ CNPq – Nível 1C: Ângela Maria Gordilho Souza

Bolsista PQ CNPq – Nível 2: Antônio Pedro Alves de Carvalho

Bolsista PQ CNPq – Nível 2: Arivaldo Leão de Amorim

Bolsista PQ CNPq – Nível 2: Gilberto Corso Pereira

 

A presença de docentes em Corpos Editoriais de periódicos internacionais e nacionais e em Comitês de Assessoramento de agências de fomento, manteve-se igualmente significativa em 2018. Excetuando-se os veículos ligados diretamente ao programa, dez (10) docentes fizeram parte de Corpos Editoriais de periódicos nacionais e internacionais, cabendo destacar entre esses últimos: Géographie et Cultures, Brésil(s), Confins (Prof. Dr Ângelo Serpa); Arquisur Revista (Profs. Luiz Antônio cardoso, Naia Alban Suarez, Rodrigo Baeta e Paola Berenstein Jacques); International Journal of Architectural Heritage e Conservar Património (Prof. Mário Mendonça de Oliveira); America Patrimonio (Prof. Nivaldo Andrade Júnior); Tracce Urbane/Urban Traces, Ambiances - International Journal of sensory environment, architecture and urban space (Prof. Paola Berenstein Jacques); EURE (Prof. Rodrigo Espinha Baeta).

O corpo docente e o corpo discente do PPG-AU/UFBA, bem como os seus pesquisadores associados, participantes externos e discentes da graduação, participaram, em 2018, de 122 projetos de pesquisa, de extensão ou de âmbito interinstitucional. Dentre esses projetos, 24 foram concluídos, 31 foram iniciados (número substancial, devido aos 8 novos docentes que ingressaram no programa) e 64 tiveram continuidade e adentram o ano de 2019. Dentre os que tiveram seguimento, 98 projetos são definidos como de pesquisa e 24 de extensão.

Em 2018, todos os professores permanentes estiveram vinculados a projetos de pesquisa, e desses, apenas 1 não atuou como coordenador – ou seja 96,7 % dos docentes do quadro permanentes coordenaram projetos e 100% atuaram em pesquisa. Um número muito significativo de estudantes de graduação, mais de uma centena, participaram dos projetos, o que demonstra que também têm sido uma importante via de integração do programa com o curso de graduação. Os temas dessas pesquisas guardam estreita relação com os da produção bibliográfica, que é, em grande parte, decorrente deles.

A produção intelectual vinculada ao programa (docentes e discentes) foi abundante em 2017, ultrapassando, em muito, os números históricos. Registrou-se um total de 636 produções intelectuais (286 produções a mais do que em 2016), sendo 252 de natureza bibliográfica, 381 de natureza técnica e 3 produções artísticas.

Dentre as produções bibliográficas, em 2018, os docentes publicaram: 33 artigos em periódicos de circulação nacional e internacional; 46 livros e capítulos de livros, dos quais 1 livro autoral (obra única), 06 coletâneas organizadas por docentes do programa e 39 capítulos, apresentações, introduções e prefácios; 65 trabalhos foram em anais de eventos; entre outros produtos, totalizando 161 produções.  

Já os discentes estiveram envolvidos em um número substantivo de produções bibliográficas em 2018: 14 artigos em periódicos de circulação nacional e internacional; 15 livros e capítulos de livros; 94 trabalhos em anais de eventos; entre outros produtos, totalizando 131 produções. 

Dentre os temas mais abordados, registram-se as questões ligadas à produção do espaço urbano e metropolitano em suas várias dimensões, à apreensão da cidade e o direito à cidade. Outros temas que se destacam são os ligados às várias dimensões e problemas da preservação, do restauro e da conservação do patrimônio arquitetônico, urbano e paisagístico, à história da cidade e do urbanismo, às tecnologias digitais aplicadas à documentação arquitetônica, à arquitetura e ao urbanismo modernos e à arquitetura hospitalar.

A produção intelectual de natureza técnica foi igualmente significativa em 2018, como já foi citado. A maior parte desta produção diz respeito aos trabalhos apresentados em eventos científicos de âmbito internacional, nacional e regional que, em conjunto com outras atividades – tais como, organização de eventos, atuação como membros de comissões científicas e pareceristas ad hoc, assessoria na elaboração de planos e projetos, projetos arquitetônicos e urbanísticos, trabalhos técnicos em restauração – somaram 207 produções para professores e 165 para alunos.

Em 2018, foram defendidas 11 teses de doutorado e 10 dissertações de mestrado, o que corresponde a um total de 21 trabalhos finais concluídos – uma redução significativa em relação ao ano anterior justificada pela greve de 2015, que atrasou para julho o início do primeiro semestre de 2016. Não obstante, o tempo médio de conclusão desses trabalhos ficou dentro dos parâmetros aceitos pela CAPES.

O programa contou neste ano com um total de 129 discentes matriculados nos cursos de doutorado e mestrado acadêmico, sendo que desses 6 ingressaram no doutorado, em 2017, e 25 no curso de mestrado acadêmico. Em 2017 o curso de doutorado contou com a presença de 05 estudantes estrangeiros, provenientes da Itália (02), da Costa Rica (01), da Colômbia (01) e da Argentina (01); e o curso de metrado com 07 estrangeiros provenientes da Itália (02), de Portugal (01), de Belarus (01), da Nicarágua (01) e do Peru (02). Além desses 12 estudantes regularmente matriculados, o programa contou, ainda, com uma estudante de doutorado proveniente da Alemanha em convênio de cotutela.

Em 2018, o PPG-AU/UFBA recepcionou 04 bolsistas para estágios de pós-doutorado, 02 deles apoiados pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado da Capes e 02 pelo projeto de pesquisa “Regeneração de vazios construídos em áreas urbanas centrais. Uma tecnologia social aplicada ao caso de Salvador, Bahia”, que conta com financiamento do Programa Pesquisador Visitante Especial - PPVE’s da CAPES. Três desses pesquisadores iniciaram seus estágios em 2016: Janaína Bechler, sob supervisão da Profa. Dra. Paola Berenstein Jacques, vinculada ao Projeto Arquivo Laboratório Urbano; Elisamara Oliveira Emiliano, sob supervisão da Profa. Dra Ângela Maria Gordilho-Souza, em projeto articulado à Residência AU+E; e Richard William Campos Alexandre, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Maria Fernandes, no projeto de pesquisa acima mencionado. O pesquisador Shanti Nitya Marengo iniciou o estágio de pós-doutorado em 2017 neste mesmo projeto, igualmente sob supervisão da Profa. Dra Ana Maria Fernandes e da pesquisadora visitante Olívia Fernandes de Oliveira, cuja participação também é financiada pelo Programa Pesquisador Visitante Especial - PPVE da CAPES.